A Energia e o Sistema Internacional de Unidades
Breve resenha histórica
Para evitar a conversão entre diferentes sistemas de unidades
desde há muito que, na cena internacional, se desenvolveram
esforços para estabelecer uma convenção universalmente
aceite. Ou que, pelos menos, fosse aceite por um grande número
de países. Isso evitaria o esforço de cálculos
desnecessários e a possível ocorrência de erros,
completamente evitáveis.
Claro que a conversão entre os diferentes sistemas de unidades
ainda faz sentido, mais não seja porque em determinados grupos
profissionais e países continuam em uso outros sistemas.
Mas, claro, também há razões de cariz histórico.
O conversor disponível neste sítio Internet apoiará
todos os interessados na história da energia e ajudará,
primeiro que tudo, a compreender - em diversos contextos - o sentido
de valores numéricos associados a diferentes fontes e produtos
energéticos.
O Sistema Internacional de Unidades (SI), que passou a vigorar
na lei portuguesa a partir de 1983, nasceu deste esforço
internacional de uniformização.
As origens do SI
No século XVIII a comunidade científica procurava
um padrão, que pudesse ser aceite internacionalmente, para
a unidade do comprimento – o metro. Duas ideia se defrontavam
então: para alguns o melhor seria definir essa unidade à
custa do comprimento de um pêndulo que possuísse um
semiperíodo de oscilação de um segundo; para
outros seria desejável usar uma parte em dez milhões
de um quarto de meridiano - um quarto do perímetro terrestre.
Após a revolução francesa, em 1791, a Academia
das Ciências de Paris decidiu adoptar a definição
baseada no meridiano. A força da gravidade varia ao longo
da superfície terrestre provocando diferenças no período
de oscilação dos pêndulos, o que desaconselhou
o uso desta definição. No Século XIX seria
fabricado um primeiro padrão, metálico, mas os especialistas
não levaram em conta o achatamento dos pólos terrestres
e a este primeiro protótipo faltavam 0,2 milímetros.
Em 1875, na chamada Convenção do Metro, de que Portugal
foi um dos países signatários, foi criado o Bureau
Internacional dos Pesos e Medidas que funciona na dependência
da Conferência Geral dos Pesos e Medidas. O Bureau ainda hoje
desenvolve a sua actividade nos arredores de Paris – assegurando
a tarefa de unificar as medições físicas a
nível mundial - enquanto a Conferência continua a reunir-se,
de quatro em quatro anos, de modo a introduzir no SI as modificações
que os avanços da ciência e da tecnologia impõem.
Também tem a tarefa de promover a disseminação
deste sistema de unidades. Reúne quase 50 países.
O SI surgiu de uma resolução da 9º Conferência
Geral dos Pesos e Medidas, realizada em 1948, depois de analisada
uma proposta de uniformização da União Internacional
de Física Pura e Aplicada (IUPAP). A IUPAP recomendava, como
base de trabalho, o uso do sistema MKS. Este sistema fora proposto
inicialmente pelo físico italiano Giovanni Giorgi (1871-1950)
cujas unidades fundamentais são o metro o quilograma e o
segundo – daí a sigla MKS, do francês mètre,
kilogramme e seconde.
Nas Conferências Gerais dos Pesos e Medidas realizadas em
1954 e 1971 (10ª e 14ª, respectivamente) foi decidido
adoptar como unidades de base as correspondentes às seguintes
grandezas físicas: comprimento, massa, tempo, intensidade
de corrente eléctrica, temperatura termodinâmica, quantidade
de matéria e intensidade luminosa. A designação
Sistema Internacional de Unidades foi adoptada na Conferência
de 1960, com a sigla SI. Actualmente, este sistema foi adoptado
e integrado na lei de quase todos os países do Mundo.
A unidade de energia e trabalho do SI é designada joule
e a unidade de potência watt. Por definição
1 joule é o trabalho realizado por uma força de 1
newton quando esta desloca o seu ponto de aplicação
1 metro na direcção da força. Em termos puramente
energéticos, 1 joule é a energia que por transformação
integral produz o trabalho de 1 joule. Já o watt é
a potência que dá origem à produção
de energia de 1 joule por segundo.
Introdução de SI em Portugal
Em Portugal o SI foi introduzido, tardiamente, em 1983 através
do Decreto-Lei nº427/83 de 7 de Dezembro, embora o Ministério
da Educação tivesse já recomendado o seu uso
em 1972. Após a introdução de diversas alterações
ao Decreto-Lei de 1983, em 1994 todas as disposições
legais relativas ao SI foram reunidas num único diploma (Decreto-Lei
nº238/94, de 19 de Setembro). Este último Decreto prevê,
nomeadamente, que:
a) A utilização do Sistema Internacional de Unidades
aplica-se em todo o território nacional (Art.º 1.º);
as unidades de medida legais empregam-se “nos circuitos económicos,
nos domínios da saúde e da segurança pública
e nas operações de natureza administrativa”
(Artº 4.º).
b) As indicações expressas em outras unidades, a par
com as unidades de medida legais, é autorizada até
31 de Dezembro de 1999 (Art.º 2.º).
c) Nos dispositivos indicadores dos instrumentos de medida é
obrigatória a utilização das unidades de medida
legais.
d) Só é autorizada a utilização de unidades
de medida não legais em alguns casos pontuais, como os das
peças de substituição de equipamentos colocados
no mercado ou em serviço antes da entrada em vigor da legislação.
Joule e Watt
Às unidades de energia e potência do SI foram atribuídos,
respectivamente, os nomes de dois britânicos: James Prescott
Joule (1818-1889) e James Watt (1736-1819). Estes cientistas e tecnólogos
realizaram importantes trabalhos sobre estas grandezas físicas
- a denominação destas unidades de medida é
uma homenagem ao seu legado científico.
James Joule nasceu numa família abastada de Manchester ligada
à industria cervejeira. Era uma criança tímida
e delicada. Desde cedo teve acesso a uma formação
privilegiada, Dalton foi seu tutor de ciências e matemática.
Interessou-se por problemas relacionados com o calor e começou
a realizar experiências na fábrica cervejeira da família.
Com apenas 18 anos de idade estudou o calor produzido por uma corrente
eléctrica e por volta de 1840 formulou a lei que tem o seu
nome e que relaciona a corrente e a resistência de um condutor
com o calor nele gerado. Entre 1837 e 1847 o seu trabalho estabeleceu
o principio da conservação da energia e descobriu
que o calor é uma forma de energia entre tantas outras. Infelizmente
a partir dos 55 anos de idade, por motivos de saúde, deixou
de brindar a ciência com o seu talento extraordinário
para realizar experiências. Os seu trabalho mais importante,
o equivalente mecânico do calor, foi feito ainda antes dos
30 anos de idade.
Por seu turno, o pai de James Watt exercia a sua actividade na construção
naval. De saúde débil Watt não conseguiu avançar
muito na educação formal. Possuía, no entanto,
talentos que o levaram a estabelecer-se como constructor de instrumentos
da Universidade de Glasgow. Enquanto reparava uma máquina
a vapor de Newcomen reparou que poderiam ser feitas alterações
que melhorariam em muito a sua eficiência. Depois de várias
outras alterações surgiu a máquina de Watt,
que teve um papel de relevo na revolução industrial.
Watt foi também, em 1779, o primeiro inventor de um processo
de cópia para documentos de escritório, onde era usada
uma tinta gelatinosa (o antepassado remoto da fotocópia).
Infelizmente, para ler estas cópias era necessário
um espelho. Em 1800, Watt reformou-se na posse de uma grande fortuna.
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